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sábado, 9 de novembro de 2019

Crítica - Séries: Justiceiro – 2ª Temporada




A volta da Tormenta... 

 


por Alexandre César 


Série segue mostrando potencial em sua despedida

 
De pé, Frank Castle (Jon Bernthal) em sua grande estréia na segunda 
temporada de "Demolidor".

 
Tendo sido lançado na segunda temporada de Demolidor, o confronto físico e ideológico entre o Homem Sem Medo e Frank Castle, abordou tanto as diferenças na metodologia dos dois vigilantes, pois era patente que o violento ex-militar era um homem levado ao extremo pela morte de sua família. Após essa ótima introdução, que foi levada adiante na sua primeira e boa temporada solo (apesar dos pesares) a série manteve o hype do personagem e garantiu a sua visibilidade, mas agora, encontrando-se no olho do furação da transição da Marvel para o serviço próprio de streaming da Disney, e o cancelamento das séries da sua parceria com a Netflix ( Punho de Ferro, Luke Cage e Demolidor) a segunda temporada de O Justiceiro consegue, embora longa e irregular, levantar algumas discussões ainda que se arrisque menos em comparação com a anterior mas, demonstra no meio de sua brutalidade e (olhe só!) um toque de família e de redenção que poderia trilhar um caminho próprio, longe das preocupações típicas dos universos compartilhados.  
 
Relação de tons paternais: Frank e Amy Bendix 
(Giorgia Whigham) garota caçada por caras da pesada.
 
 
Dando continuidade aos eventos do final da primeira temporada, acompanhamos Frank Castle (Jon Bernthal, talhado para o papel) — assumindo a identidade de Pete Castiglione, por causa do acordo que fez com a Segurança Nacional — viajando de cidade em cidade, na paz e tranquilidade e, até se dando bem com as mulheres!!! Mas, o Karma de um bom samaritano (coisa que a série sempre aponta...), sempre acaba por encontrá-lo, e assim, após uma briga no banheiro de um bar, Castle está de volta a ser o rolo compressor que estamos acostumados a ver, como se ele existisse apenas por estar preso em um ciclo de violência. Ele quer sair, mas simplesmente não sabe como funcionar fora disso porque realmente gosta do que faz, aqui, ao proteger uma menina, Amy Bendix (Giorgia Whigham, bela e talentosa), envolvida com um misterioso segredo, e caçada por John Pilgrim (Josh Stewart) que a julgar por suas marcas de tatuagens removidas era um neo-nazista que tornou-se pregador, parecendo saído de uma HQ de Garth Ennis, com sua fala mansa e olhar sereno mas, matador habilidoso e sutilmente ameaçador, cujas motivações e os objetivos de suas ações só são faladas nos episódios finais. Tal qual na última temporada de Demolidor, este arco tem uma crítica implícita às manobras da extrema-direita americana, no seu ranço fundamentalista que procura ganhar os corações e as mentes usando a Bíblia tanto para orientação, quanto para justificativa para atos vis e criminosos (familiar não?).
 
 
De máscara, Billy Russo (Ben Barnes) "segue" na "terapia"
 com a Dra. Krista Dumont (Floriana Lima, de costas)...
 
Paralelo a isso, Billy Russo (Ben Barnes, bom mas nada acima da média), após sair do coma e ter sido submetido à cirurgias de reconstrução facial, gasta boa parte da temporada tentando resgatar a sua memória e remoendo pensamentos repetitivos em sessões de terapia (oficiais e não-oficiais) com a doutora Krista Dumont (Floriana Lima, funcional), tentando dar um sentido às suas memórias falhas e sentimentos confusos. 
 
Muito Billy Russo, e quase nenhum "Retalho"...
 
 
Embora estas conversas tenham a função de desenvolver o psicológico perturbado do antagonista ao ponto de deixá-lo suscetível aos seus impulsos e frustrações, demonstrando o seu psiquismo fragmentado, raramente envolvem o público, adiando a realização do personagem, frustrando os espectadores casuais com sua falta de atividade, e o público-alvo, cujas expectativas construídas pela primeira temporada, que prometia pela eficiente história de origem, que o personagem se tornaria o vilão Retalho (das HQs, e do filme de 2008, interpretado por Dominic West). Aqui, a sua construção falha por ser mais vítima do que bandido, e a maquiagem simplista mostra um homem fraturado, perigoso, mas não o vilão famoso por intimidar qualquer um à primeira vista. Na verdade, vemos a continuação da sua história de origem, que impede o personagem de assumir o seu posto maligno de vilão cruel e inescrupuloso, sendo a dinâmica de Billy Russo com Frank Castle e com Dinah Madani (Amber Rose Revah, contida) semelhante à da primeira temporada, gerando certas comparações quantoa à ideologia entre Castle e Russo (até pela alternação de seus momentos atuais com as lembranças de sua brodagen passada) de forma bem arrastada. 
 
 
Momento Garth Ennis": John Pilgrim (Josh Stewart) o 
fundamentalista pistoleiro-pregador.
 
 
Usa-se bastante o recurso dos flashbacks para construir a narrativa, tal qual na primeira temporada, mostrando a juventude dos personagens e , em alguns episódios, o recurso de duas linhas temporais apresentadas ao mesmo tempo. Outro recurso narrativo usado é o das alucinações e sonhos para explicar várias das motivações e medos de seus protagonistas, sejam ele Billy, Pilgrim, Madani ou Dumont, mostrando os seus transtornos com algum fato passado, tendo esse recurso sido usado com Castle na temporada anterior, que trouxe diversos episódios do personagem sonhando com sua família.  
 
 
Ranço: Dinah Madani (Amber Rose Revah) ainda não 
perdoou Russo por ter lhe dado um tiro na cabeça...
 
 
Felizmente, há espaço para o retorno de caras conhecidas deste universo, como a assistente da Nelson & Murdock Karen Page (Deborah Ann Woll), o detetive Brett Mahoney (Royce Johnson) e é claro,Turk Barret (Rob Morgan) que nos quadrinhos conhecemos como “Tucão” , o marginal que vende armas em Hell´s Kitchen e no Harlem, sendo presença comum a todos os seriados Marvel/Netflix quando alguém precisa comprar um “berro”... 


Momento "Não somos lindos???": Billy Russo 
e seu bando de ex-combatentes.

Como sempre, a falha crônica das séries da Marvel/Netflix se faz presente, que é o esticamento da trama desta temporada, que não precisava seguir ao longo de treze episódios, com adiposidades narrativas em vários dos arcos, arrastando os relacionamentos entre os personagens, que poderiam ser mais compactos, como a demora de Russo em passar à ação, as conversas da Agente Madani com o detetive Mahoney, que apenas servem para manter a pressão sentida pela personagem, pelo conflito entre seus ideais e a sua lealdade ao serviço, além de escolhas sem motivações de certos personagens para dar uma continuidade forçada ao enredo como a da Dra. Krista Dumont, cujas ações em relação ao seu paciente Russo, demoram a ser justificadas e... são forçadas.
 
Surpresa: Frank no início até "se dá bem" com uma gata,
 Beth Quinn (Alexa Davalos) mas por pouco tempo...
 
 
Neste conjunto ainda temos o erro de não deixar um vilão em destaque, fazendo um “revezamento” entre os vilões Billie Russo e John Pilgrin, o que as vezes confunde sobre quem é o “real vilão” desta segunda temporada, ficando Pilgrin por quase todo o tempo, como "O Grande Vilão Que Está Caçando" Castle e Amy, servindo de desculpa para mostrar ao espectador que existe uma "ameaça maior" que Russo e sua gangue de veteranos, garantindo assim que a dupla esteja sempre fugindo e, garantindo o cardápio de homens para o Justiceiro matar, além do fato de que é difícil acreditar que alguém, fosse por amizade, amor ou princípios, largaria tudo para seguir a missão de outro, caso de Curtis Hoyle (Jason R. Moore) o amigo veterano de Castle, ou de Krista Dumont, e é interessante notar que ninguém tem porteiro ou interfone, pela facilidade com que todo mundo vai entrando na casa dos outros sem avisar, recurso comum em muitas séries da TV aberta... 
 
Cada qual no seu quadrado: Curtis Hoyle (Jason R. Moore), 
Madani e Castle falam, discutem, falam...
 
 
Apesar dos pesares, Jon Bernthal faz quase tudo se dissipar quando está em cena, trazendo uma abordagem interessante de seu personagem, como já foi explorada nas HQs, mas ainda bem diferente do que o cinema e a TV já retratou, onde o personagem sempre foi visto como uma máquina de matar unicamente motivada pela dor e o luto.  
 
 
Karen Page (Deborah Ann Woll) dá as caras para matar saudades...
 
 
Essa mudança, ainda que sutil, é refletida claramente em sua construção de personagem, aproveitando as cenas de luta, onde bate, apanha, sangra aos litros, (colecionando cicatrizes que poderiam fazê-lo ser confundido com o “Monstro de Frankenstein”) ou sabendo como manter um efeito ameaçador até nos momentos mais calmos e tranquilos bebendo cerveja num bar. Ao fim, notamos que de um jeito ou de outro Frank Castle é o centro das conversas e ações de todos os personagens, tal qual as limalhas de ferro são atraídas por um ímã...  
 
 
Brodagem: Frank e Curtis fazem uma dupla similar
 às de muitos seriados policiais...
 
 
Com a onda recente de cancelamentos das séries Marvel/Netflix, a temporada termina com o sensação de história fechada, sugerindo um possível cancelamento em breve. Mas neste caso, a Netflix produziu um final funcional para Frank Castle (ou como Pilgrin o chama, citando a Bíblia: a Tormenta) pois como ele é o personagem mais genérico deste universo de séries, tendo a sua origem nos quadrinhos sido inspirada por filmes como Desejo de Matar (1974) de Michael Winner e Perseguidor Implacável (1972) de Don Siegel, talvez se pudesse reestruturar a série de maneira a funcionar à parte do Universo Cinematográfico Marvel sem a necessidade de interação com personagens ou elementos de outras séries e assim não levá-lo para o serviço de streaming da Disney, onde o casca-grossa” Castle destoaria beeemm da proposta colorida do cardápio de títulos da empresa do rato... 


"- SEUS NERDS DE #%**&+@!!! VENHAM ME ENCARAR SE VOCÊS
 SÃO HOMENS!!!! VENHAM QUE EU ESTOURO AS SUAS FUÇAS!!!"

 
 
 

sábado, 2 de novembro de 2019

Crítica - Filmes: O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio


O futuro imitando o passado

 

por Alexandre César


James Cameron e Tim Miller em retcon ambicioso, e só


Primórdios: um filme "B" de 1984,

 foi o início de tudo...

 

 Em 1984, o mundo foi inesperadamente tomado de assalto por um filme “B” de BOM, isto para não dizer ÓTIMO, mesclando criatividade nos efeitos visuais, roteiro, direção e interpretações no ponto certo de maneira enxuta fazendo da melhor forma o barato (orçamento de 6,4 milhões de dólares) parecer caro, e criando uma legião de fãs pelo globo (a Terra não é plana, apesar de opiniões contrárias) afora. Aliando muita ação e humor a conceitos sobre a viagem no tempo e as suas possibilidades de mudança no continuum da linha temporal, criando um modo perpétuo em que  o-futuro-alimenta-o-passado-que-vai-criar-aquele-futuro-que-vai- alimentar-o-passado tornou familiar ao grande público tópicos como  “O Paradoxo do Avô * e manteve o filme no imaginário popular nos últimos 35 anos.

Kyle Reese (Michael Biehn) vem do futuro para proteger 

Sarah Connor (Linda Hamilton) que gerará o líder que no
 futuro salvará a humanidade contra as máquinas...
 O Exterminador do Futuro foi a confluência de forças de estrelas ascendentes, começando pelo astro Arnold Schwarzenegger que na pele e endo-esqueleto do minimalista T-800 mostrou que podia ser mais do que apenas Conan, O Bárbaro(1982), Linda Hamilton, egressa da série A Bela e A Fera, que com a sua meiga e forte Sarah Connor, a futura mãe do líder da resistência contra as máquinas John Connor, mostrou ser o improvável modelo da mulher empoderada, mas humana sem artifícios e falsos glamours (tal qual Ellen Ripley de Alien) passando pelo técnico e supervisor de efeitos visuais, maquiagem e animatrônicos Stan Winston ( ✰ 1946 – 2008) , que junto com a Fantasy II Film Effects se articularam em produzir visuais de ponta dentro de seu orçamento espartano, fora o produtor, diretor e roteirista James Cameron que a partir deste filme rapidamente se tornou uma estrela de primeira grandeza, podendo se dar ao luxo de ser o diretor que mais vezes estourou o orçamento e se tornou o responsável pelo   “filme mais caro da história do cinema” (pelo menos umas três ou quatro vezes) e a julgar pelas continuações vindouras de Avatar não deverá deixar o cetro tão cedo...
 

Arnold Schwarzenegger fIcou tão bom como vilão 

que a solução para uma continuação foi torná-lo o herói...

O sucesso tornou as continuações inevitáveis, como O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991) trouxe Cameron, Hamilton e Schwarzenegger de volta e além de estourar a bilheteria tornou o T-800, agora reprogramado, num herói inesquecível e Sarah Connor agora uma BADASS à toda prova, contra o quase invencível T-1000 (Robert Patrick).




T-1000 (Robert Patrick), o nêmesis aprimorado,

 garantiu o Oscar de efeitos visuais.

A despeito dos incríveis avanços tecnológicos (as sequências em CGI do T-1000 garantiram o Oscar de Efeitos visuais) o filme se apoia na química do jovem John Connor (Edward Furlong) com o Exterminador (que garoto de 10 anos que não iria querer ter um robozão às suas ordens, no melhor estilo Frankenstein Jr.???) e deste com Hamilton, criando uma unidade familiar insólita que fechou com a célebre frase: “- Se até um exterminador aprendeu o valor da vida humana, quem sabe nós também não sejamos capazes de aprender?” Leva a pensar não?

"A Família do Futuro"? T-800 (uma versão reprogramada

 para o bem), Sarah Connor, e John (Edward Furlong).


O avanço da tecnologia: T-X (Kristanna Loken), com suas 

habilidades miméticas e de acionar remotamente outras 
máquinas, deu muito trabalho ao agora obsoleto T-800...



O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas   (2003) de Jonathan Mostow foi um bom mais do mesmo” com um jovem John Connor (Nick Stahl) junto com sua companheira Kate Brewster (Claire Danes) juntando forças a um novo T-800 (Schwarzenegger) contra a implacável Exterminatrix T-X (Kristanna Loken) e tem um dos melhores finais da franquia ao mostrar que o apocalipse do Julgamento Final era adiável mas não inevitável, criando um clima fatalista de destino...



Destino: Kate Brewster (Claire Danes), John Connor (Nick Stahl) e 
o T-800. A linha temporal pode ser mudada em parte, mas não eliminada...

Agora era o dia-a-dia pós-Julgamento Final...

O Exterminador do Futuro: A Salvação (2009) de McG trouxe um vislumbre do mundo pós-apocalipse nuclear com John Connor (Christian Bale) se firmando como líder da resistência e mostrando a ascensão do Modelo T-800 como top de linha de montagem, com um modelo digital de Schwarzenegger no lugar do ator.


John Connor (Christian Bale) e Marcus Whright (Sam Wortington)

 e a definição do que é "ser humano"...

Dividindo o protagonismo do filme havia Marcus Whright (Sam Wortington de Avatar) um ciborgue, híbrido de humano e máquina, suscitando os questionamentos sobre o que define "ser humano” quanto a capacidade de amar e de sentir empatia por aqueles à sua volta.

Batendo pino: Apesar de algumas boas

 idéias, a franquia já estava desgastada...
 Apesar de ser um filme melhor do que o anterior, a sua performance apenas razoável nas bilheterias levou a se fazer um reboot da franquia em O Exterminador do Futuro : Gênesis (2015) de Alan Taylor com Schwarzenegger retornando e lutando com a sua versão jovem em CGI e numa reviravolta, tornar John Connor (Jason Clarke de A Maldição da Casa Winchester) um hospedeiro de uma nova forma híbrida de Exterminador, tornando o T-800 o mentor de uma jovem Sarah Connor (Emilia Clarke de Game of Thrones), fazendo vários saltos temporais para o futuro, dando a oportunidade de vermos o T-800 envelhecer e ao final sofrer um upgrade para o padrão T-1000. 

O T-800, de caçador, passou a ser o mentor da jovem Sarah Connor (Emilia Clarke)

 A mais baixa bilheteria da franquia mostrou que alguma coisa havia se perdido, necessitando se resgatar os valores da origem e abrir novos rumos para o futuro, pois como diz a música, “o tempo não para...” mas o que fazer?


Um novo começo, retcon, e por aí afora...

Trazendo novamente para a franquia na produção e na História (em parceria com Charles H. Eglee, Josh Friedman, David S. Goyer e Justin Rhodes) James Cameron e dirigido por Tim Miller (Deadpool),  O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (2019) restabelece a narrativa a partir do segundo filme de 1991 e em seus primeiros cinco minutos apagando tudo o que veio depois (esqueça o terceiro, quarto e quinto filmes...) de forma contundente, com a delicadeza típica de um T-800 do filme original, e ao mesmo tempo criando uma nova linha do tempo que, se a performance nas bilheterias permitir, poderá dar alguma sobrevida à franquia, mesmo que acabe sendo a despedida de seus astros originais, pois o tempo não para, como na música já citada acima...


"- Siga-me se quer viver!" Grace (Mackenzie Davis) a 

guerreira aprimorada do futuro vem salvar Dani Ramos
 (Natalia Reyes) a dozela em perigo da vez...


Rev-9 (Gabriel Luna) e seu endo esqueleto drone: 

Modelo de infiltração padrão mexicano...


Remetendo ao início do primeiro filme mas mudando o cenário, vamos de Los Angeles para o México, onde duas figuras chegam em horários e lugares diferentes, ao nosso tempo numa esfera de energia vindos de um futuro pós apocalíptico em que as máquinas resolveram eliminar os humanos (em virtude do que estamos fazendo com o planeta, talvez não estejam tão erradas...) e no nosso tempo terão um embate épico: De um lado a bela Grace (Mackenzie Davis de Blade Runner 2049, Perdido em Marte, Black Mirror) humana aprimorada (tem implantes cibernéticos que he dão força, velocidade e capacidade de se logar com dispositivos de comunicação) que cai nua num terreno baldio entre um casal que puxava um fuminho, e após nocautear uma dupla de guardas abusados, rouba as roupas do rapaz e a viatura dos guardas. 



" - Quem poderá nos salvar?" não será o Chapollin Colorado...

Horas depois, em outro lado da cidade, chega Rev-9 (Gabriel Luna que já foi o Motorista Fantasma na ótima 4ª temporada de Marvel´s Agents of S.H.I.E.L.D.) um exterminador com habilidades similares ao do T-1000 e da T-X, sendo capaz de se dividir em dois, deixando o seu endo esqueleto para trás como um drone e usando a sua liga metálica para assumir qualquer forma ou acessar todo e qualquer dispositivo, tal qual uma central de comunicações e dados. Ambos estão atrás de Dani Ramos (Natalia Reyes), ele para exterminá-la e ela para protegê-la. Dani é uma operária numa fábrica de automóveis cuja automação vai colocar na rua seu irmão Diego (Diego Boneta), que sonha ser cantor, e outros 300 trabalhadores mexicanos, mostrando que a eliminação dos humanos pelas máquinas já vinha em outra frente, pela própria estrutura do mercado de trabalho.

... mas ela, Sarah Connor (Linda Hamilton)

 a "Tiazona da P#rr@!!!"

Após o confronto inicial Dani e Grace numa fuga desabalada são auxiliadas por nadamais nada menos do que uma Sarah Connor (Linda Hamilton, ótima e sarcástica, curtida pelo tempo) mais casca-grossa do que nunca, que nos últimos anos esteve caçando exterminadores. Após o estranhamento inicial entre Grace e Sarah, ambas unem esforços para proteger Dani, pois embora no filme de 1991 John, Sarah e o segundo T-800 tenham destruído a Skynet, isto não significa que a inevitável tendência da tecnologia em criar uma inteligência artificial iria ser eliminada, e assim da mesma forma que se Colombo tivesse morrido cedo, outro navegador teria descoberto a América, ou sem o Projeto Manhattan, outro grupo desenvolveria a bomba atômica, embora não exista mais a Skynet, agora nesta nova linha temporal surgirá Legião, a inteligência artificial que resolveu dar cabo dos humanos.

Confllito de gerações: "- Escuta aqui comprida, eu já detonava

 robôs desde antes de você sequer existir tá sabendo???"

Mais adiante o trio encontra Carl, um aliado oculto que se revela sendo nada mais nada menos que o T-800 (Arnold Schwarzenegger, na medida certa, com ótimo timing para o hilário e o lado filosófico que o personagem permite) com quem Sarah tem uma rixa pessoal e juntos, unem esforços para proteger Dani, que futuramente será a líder da resistência humana, pois tal qual as correntes de um rio, se vai existir uma, “Skynet”, vai existir uma “Sarah” ou um “John Connor” independente do sexo ou etnia que for. São as confluências...

As forças que movem o rio: A Skynet não existe mais

 nesta linha temporal, mas agora temos a Legião...
 
Tudo soa isto soa muito bonito, mas de boas intenções o inferno e o cinema estão cheios, e apesar de bons personagens como Grace, que pedia maior espaço, o roteiro de David S. Goyer Justin Rhodes e Billy Ray apresenta problemas quanto ao encadeamento lógico dos elementos da narrativa faltando algo que O Julgamento Final conseguiu expandir de forma engenhosa da trama original, como no caso do braço mecânico remanescente do primeiro T-800 como origem da tecnologia que possibilitou o surgimento da Skynet além de um grande desenvolvimento dos personagens, como a evolução de Sarah Connor de dama em apuros a heroína badass, coisa que falta à Dani Ramos, justamente a pretendente a substituir Sarah Connor que deixa a desejar todos o seu potencial, com diálogos quase risíveis e motivações mal fundamentadas, apesar do grande esforço a atriz.


A "escadinha" desalinhada...
 
Em grupo, um verdadeiro triunvirato Girl Power, a química de Dani com Grace e Sarah é boa (sendo divertido ver a “escadinha” da altura dela para Linda Hamilton e para a Mackezie Davis, parecendo uma versão sci-fi das Irmãs Cajazeiras da clássica novela O Bem Amado) pois Sarah seria o que ela deverá se tornar, e Grace cumprindo o papel de “Kyle Reese” sendo ela uma verdadeira Valquíria digna da Marvel (desculpe Tessa Thompson, mas ela é que deveria ter ficado com o personagem...) ficando Carl, o velho T-800 (que na busca por um objetivo ao longo dos anos desenvolveu um tipo de consciência sobre o valor da vida) como um tipo de patriarca ou “tiozão” que acompanha as garotas na hora de “causar”...

Alianças de ocasião: "Carl", um T-800 (Arnold Schwarzenneger)

 que encontrou um objetivo para si, une forças com o grupo,
 apesar do rancor de Sarah...

Quanto aos valores de produção,todos estão fazendo jus à cada centavo gasto, apesar de pouco “saírem da casinha”, do seguro no gênero, como a música de Junkie XL (Alita, Anjo de Combate, Máquinas Mortais, Mad Max: Estrada da Fúria) que embala a trama de forma eficiente mas não memorável, remasterizando em alguns momentos o score clássico de Brad Fiedel, ou os figurinos de Ngila Dickson (Trilogia O Senhor dos Anéis, O Último Samurai) que veste Davis e Hamilton com trajes práticos para o combate, em contraste com as roupas mais mulherzinha de Reyes, além de resgatar o jaquetão de couro preto do Exterminado


Carl divide o seu tempo entre instalar cortinas, criar uma

 "família" e reunir um arsenal para o fim da civilização...

Na mesma linha, o desenho de produção de Sonja Klaus (Love, Death + Robots, Missão Babilônia, Um Bom Ano) que contrasta os ambientes frios e impessoais das fábricas e campos de prisioneiros de fronteira com a modéstia e o colorido das casas de bairro dos mexicanos com a sobriedade da casa de Carl, o T-800 que esconde um senhor arsenal pois como ele diz:  “- Com ou sem uma Inteligência Artificial, a tendência da civilização é decair para a barbárie, e aqui, é o Texas!“

Forças conflitantes: REV-9 leva vantagem sobre o obsoleto

 e pesado T-800, mas nunca subestime a "velha guarda"...
No final, o mais memorável no filme, que acaba sendo um outro “mais do mesmo” (só que turbinado...) se traduz na união dos talentos de Cameron e de Tim Miller, traduzida na união da tecnologia e direção de cenas de ação, seja no prólogo em Bogotá, recriando os corpos jovens do T-800, de Sarah e John Connor às cenas de ação, atestando a competência das equipes os efeitos visuais das empresas Blur Studio, Capital T, Digital Domain, Industrial light & Magic (ILM), Mammal Studios, Method Studios, Proof, Scanline VFX, Stereo D, Universal Production Partners (UPP), Weta Digital que misturam efeitos digitais e práticos, num grande espetáculo de ação que honra a franquia, com a ação fluindo que é uma beleza, graças à montagem de Julian Clarke (Chappie, Distrito 9, Elysium) mantendo o pique da narrativa e resgatando aquele senso de urgência de “um mal que nunca se cansa”, ao contrário dos humanos (aperfeiçoados ou não) cuja palheta de cores da fotografia de Ken Seng (Deadpool, Os Desconectados) delimita bem os elementos de cena, permitindo que seja em cenas claras ou escuras (poucas), agitadas ou mais lentas não deixemos de identificar quem é quem, dando aquele ar áspero da atmosfera do deserto na fronteira dos EUA com o México, identificando visualmente as áreas de exclusão com um toque documental de subtexto crítico à política de Trump, ao machismo e à corrida armamentista pois nesta nova linha temporal, a esperança é mulher, e é latina, reforçando como Miller e Cameron com ironia atualizaram a franquia dando a premissa de não serem as nórdicas Sarah ou Grace as salvadoras, mas sim Dani, uma baixinha mexicana comum como a perseguida pelo novo futuro (que não aconteceu como o previsto em 1984), por ser ela o fator de reerguimento da espécie humana face a este novo porvir, que aponta para o mesmo “destino sombrio”, que é a soma de todos os avanços tecnológicos desordenados do homem, tenha ou não um T-800 para dar uma ajuda...

A donzela, o exterminador, os protetores: Quatro 

contra um é uma boa equação...


"É, desta vez a manicure tirou um "bife". Acho que não

 tem jeito. Eu terei de mudar de salão..."

*: Se você volta no tempo e mata o seu avô, antes dele conhecer o seu avô antes dele conhecer a sua avó, seu pai, ou sua mãe não nascerão e você nunca terá existido. Mas, se você nunca existiu, como pôde voltar no tempo e ter matado o seu avô???


"- Nada melhor do que um sorriso "Old School" para alegrar o dia não?"

Arte e cultura: O Sabá das Bruxas de Francisco Goya






Pintor dos devaneios e pesadelos

por Ronald Lima

Ciclo de trabalhos do artista feitos em segredo


Francisco Goya pintor espanhol 1746/ 1828 - Após pintar o retrato da Duquesa de Osuna, tornou-se "Primeiro Pintor da Câmara do Rei", o pintor oficial do monarca Carlos IV e sua família e assim seguiu por anos... Seus retratos da família real mesmo sendo oficiais mostravam seres humanos muito normais pode se dizer, uma aristocracia certamente gostaria de ser mostrar mais garbosa e isso não ocorria com Goya.

Três de Maio de 1808 em Madrid, "Os fuzilamentos da montanha
 do Príncipe Pío" ou "Os fuzilamentos de três de Maio".

Uma doença que o deixou parcialmente surdo, as invasões napoleônicas e o enfrentamento da população ao invasor fez despertar no pintor um apreço grande pelo povo espanhol e um certo desprezo para com a venal nobreza espanhola que aceitou o domínio de Napoleão, pois antes de invadir Napoleão convidou o próprio Carlos IV para morar em Paris (o que foi prontamente aceito!!) . Goya retratou várias cenas fortes de guerra onde pela primeira na arte um conflito foi retratado de modo real, crueza, nada de heróis, fútil e sem glória, são comuns em suas obras desse período cenas de saque e despojo de cadáveres. Seu traço sempre foi pessoal, forte no toque e muito expressivo ao desenhar as emoções e ações emotivas, ver um rosto ou gestos seus pintados é como saber de verdade como eram os ali retratados... seus cenários são somente isso... cenários.
Mais idoso e decepcionado com a atitude da nobreza em desprezar políticos liberais (alguns eram amigos seus). 

“O sonho da razão produz monstros” gravura criada entre 1797 e 1799 para o Diario de Madrid, é a 43ª das 80 gravuras que compõem a suíte de sátiras Los Caprichos.


Estes desejavam uma Espanha menos submissa economicamente, porém esses liberais em contra partida destratando o povo, o fez se retirar do cenário e decidir morar em uma fazenda escondido de todos (pobre ele não era) - Ficou conhecido esse local como a Quinta do Surdo. Toda essa história (resumida até) é para mostrar sua fase nomeada posteriormente como as "Pinturas Negras" onde temas obscuros surgem e medos são retratados expressando as frustrações e críticas de Goya para com tudo e todos, nessa fase ele também dá continuidade as famosas gravuras denominadas “Los Caprichos”, onde muitas cenas cruéis e violentas foram retratadas. 

 "Linda Maestra" gravura criada entre 1797 e 1799 para o 
Diario de Madrid, é a 68ª das 80 gravuras que compõem
 a suíte de sátiras Los Caprichos.

A obra de Goya denominada O Sabá das Bruxas faz parte de sua série de Pinturas Negras (Pintura não é gravura). A temática envolvendo feitiços e bruxarias era comumente usada pelos artistas, para atacarem a chamada Santa Inquisição. Esses ele fez nas paredes da fazenda.... o motivo?
As chamadas Pinturas Negras não eram por vontade de Goya para serem expostas durante sua vida e não o foram.... Para muitos (diria a maioria) creio que preferiam esconde-las mesmo. Depois foram transpostas para o Museu do Prado e restauradas (as paredes todas!) mas durante décadas ficaram lá em sua fazenda esquecidas após sua morte.
Uma meia-lua branca surge em meio ao céu escuro. Morcegos esvoaçam em direção à cena. Montes escuros compõem o tenebroso cenário. Essa imagem vinda de medos muito antigos se tornou icônica... Todos que mencionem um encontro com o demônio esse quadro é uma das fontes de todas as imagens que surgem na mente. O quadro de Goya é um juntar de várias outras idéias e imagens.
O bode dirige sua pata para uma criança sem encará-la, rejeitando uma outra uma que está a sua frente que lhe é oferecida por ser pele e osso, a maioria das devotas tem no rosto um ar de submissão e poucas demonstram algum regozijo.

"O Sabá das Bruxas" 43 x 30, Óleo sobre tela a partir de um afresco, um dos pequenos quadros feitos entre 1797 -1798 para o palácio de Recreio do Duque de Osunas, atualmente pertence a coleção da Fundación Lázaro Galdiano

No chão de terra jaz um cadáver infantil, a mulher idosa de tronco despido carrega no ombro uma vara com uma fieira de bebês natimortos. Próxima à mulher de roupa escura da com a criança esquálida nos braços, é possível ver as pequenas pernas de uma criança, que se esconde sob o véu amarelo da mãe a se debater.

Auto retrato (1815) 46 x 35 óleo sobre tela.






Para maiores informações sobre Francisco Goya